Livro de Matemática

Sumário

Congruências lineares

As congruências lineares são fundamentais na teoria dos números porque:

  1. São a base da aritmética modular
    Elas permitem resolver equações em que estamos interessados apenas no resto da divisão. Isso é crucial para trabalhar com ciclos, padrões repetitivos e propriedades dos números inteiros.
  2. Aplicações em criptografia
    Congruências lineares aparecem:

    • no algoritmo RSA (criptografia assimétrica),
    • na geração de chaves públicas e privadas,
    • no cálculo de inversos modulares, que é essencial para decodificar mensagens com segurança.
  3. Usadas em algoritmos e teoria computacional

    • Algoritmos de divisão rápida,
    • Algoritmos para encontrar mínimos múltiplos comuns ou máximo divisor comum,
    • Verificação de propriedades em programação competitiva ou matemática computacional.
  4. Aplicações em problemas do cotidiano
    Elas ajudam a resolver:

    • Problemas de sincronização de horários,
    • Cálculos de códigos de verificação (ex: CPF, ISBN),
    • Questões envolvendo ciclos, rodízios, padrões periódicos.

Primeiras definições

Se n ∈ ℤ* tal que n > 1, os números a, b, ∈ ℤ são congruentes módulo n se n | (a – b).

a ≡ b (mod n)

Lê-se a é congruente a b módulo n, ou seja, a e b deixam o mesmo resto na divisão por n.

Exemplos:

9 ≡ 5 (mod 2) → 2 | 9 – 5
23 ≡ 11 (mod 6) → 6 | 23 – 11

Propriedades

  • Reflexividade: a ≡ a (mod n)
  • Simetria: se a ≡ b (mod n), então b ≡ a (mod n)
  • Transitividade: se a ≡ b (mod n) e b ≡ c (mod n), então a ≡ c (mod n)
  • Se a ≡ b (mod n) e c ≡ d (mod n), então a + c ≡ b + d (mod n)
  • Se a ≡ b (mod n) e c ≡ d (mod n), então ac ≡ bd (mod n)
  • Se a ≡ b (mod n), então am ≡ bm (mod n) ∀ n ∈ ℕ*
  • ap ≡ a (mod p) com p primo. → Pequeno Teorema de Fermat
  • Se p ∤ a, então p | ap – 1 – 1, com p primo
  • se p é primo, então (p – 1)! ≡ – 1 (mod p) → Teorema de Wilson

Exemplos

1) Encontre o resto da divisão de 2100 por 11.


Vamos utilizar a seguinte estrutura base: Se p ∤ a, então p | ap – 1 – 1, com p primo.

11 é um número primo, logo 11 ∤ 2, então 11 | 211 – 1 – 1, ou seja, 211 – 1 ≡ 1 (mod 11).

210 ≡ 1 (mod 11)

Utilizando a propriedade am ≡ bm (mod n) temos:

(210)10 ≡ 110 (mod 11)

2100 ≡ 1 (mod 11)

logo, o resto da divisão de 2100 por 11 vale 1.

2) Encontre o resto da divisão de 746 por 15.


Vamos utilizar as propriedades aprendidas.

a ≡ a (mod n)
7 ≡ 7 (mod 15)
7² ≡ 4 (mod 15)
7³ ≡ 13 (mod 15)
74 ≡ 1 (mod 15)

O expoente 46 = 4 . 11 + 2

7² ≡ 4 (mod 15)
(74)11 ≡ 111 (mod 15)

Multiplicando as congruências obtemos:

744 . 7² ≡ 1 . 4 (mod 15)
746 ≡ 4 (mod 15)

Logo, o resto procurado vale 4.

Classes de congruência

Classes de congruência são conjuntos de números inteiros que são “congruentes entre si” módulo 𝑚, ou seja, que deixam o mesmo resto quando divididos por um número inteiro 𝑚.

Definição formal

Dado um número inteiro m > 1 (o módulo), e um inteiro a, a classe de congruência de a módulo m é o conjunto de todos os inteiros que são congruentes a a módulo m. Notamos isso por:

[a]m = {x ∈ Z | x ≡ a (mod m)}

ou seja, é o conjunto de todos os inteiros x tais que x – a é múltiplo de m.

Exemplo

Se m = 5, temos as seguintes classes de congruência possíveis:

[0]5 = {…, -10, -5, 0, 5, 10, 15, …} deixam resto 0 na divisão por 5.
[1]5 = {…, -9, -4, 1, 6, 11, …} deixam resto 1 na divisão por 5.
[2]5 = {…, -8, -3, 2, 7, 12, …} deixam resto 2 na divisão por 5.
[3]5 = {…, -7, -2, 3, 8, 13, …} deixam resto 3 na divisão por 5.
[4]5 = {…, -6, -1, 4, 9, 14 …} deixam resto 4 na divisão por 5.

Qualquer número inteiro pertence a uma dessas 5 classes. Por exemplo, o número 17 pertence a classe [2]5, porque 17 ≡ 2 (mod 5).

Isso nos leva a querer entender o que são conjuntos completos de resíduos.
Note que o conjunto S={0,1,2,3,4} é um conjunto completo de resíduos módulo 5. Da mesma forma o conjunto T = {5,11,22,33,44} também é um conjunto completo de resíduos módulo 5.
Percebemos que um conjunto de resíduos módulo n possui exatamente n elementos.

Portanto, um conjunto M = {r0, r1, …, rk} é um sistema completo de resíduos módulo n se:

  • ri ≡ rj (mod n) ⇔ i = j, ou seja, todos os elementos dois a dois são incongruentes módulo n.
  • Para qualquer inteiro a, tivermos a ≡ ri (mod n) para algum ri de M.

Congruência linear

Chamamos de congruência linear a toda equação da forma ax ≡ b (mod m). Todo inteiro x0, tal que ax0 ≡ b (mod m) é uma solução da equação ax ≡ b (mod m).

Se x0 é uma solução da equação ax ≡ b (mod m), então m | (ax0 – b), logo ax0 – b = my0. Fazendo algumas manipulações chegamos em ax0 + (-m)y0 = b. Por fim, encontrar a solução da equação ax ≡ b (mod m) significa encontrar a solução da equação diofantina ax0 + (-m)y0 = b. E já sabemos de textos anteriores que uma equação diofantina tem solução se o mdc dos seus coeficientes dividir o termo independente, ou seja, se o mdc(a,-m) = mdc(a,m) dividir b.

Equações diofantinas

ax + by = c
ax² + by² + cz² = d
ax³ + by³ = c

As equações diofantinas recebem esse nome em homenagem ao matemático grego Diofanto, que viveu em meados do século III. No escopo das equações diofantinas o que nos interessa são as suas soluções no conjunto dos inteiros.
Em nosso estudo iremos focar nas equações diofantinas lineares do tipo ax + by = c, onde a, b e c ∈ ℤ e x, y são as incógnitas que também devem ser inteiras.

Tipos principais

  • Lineares: ax + by = c
  • Quadráticas: ax² + by² = z²
  • De grau superior: xn + yn = zn (Famoso pelo último teorema de Fermat!)

Condições importantes

  • Nem toda equação diofantina tem solução.
  • Às vezes, há infinitas soluções, ou apenas um conjunto restrito.
  • Frequentemente, precisamos analisar divisibilidade, congruências e propriedades dos números.

Exemplo 1

Encontre a solução da equação 2x + 3y = 1.


Passo 1: Checar se há solução.
O mdc(2,3) = 1 e 1|1, logo há solução.

Passo 2: Encontrar uma solução particular.
Isolamos uma variável, por exemplo x.

2x = 1 – 3y

x =
1 – 3y
2

Para que x seja inteiro, 1 – 3y deve ser par.
Testamos valores para y:

  • Se y = 1: x = [1 – 3(1)] / 2 = -1 → solução (x,y) = (-1,1)
  • Se y = -1: x = [1 – 3(-1)] / 2 = 2 → solução (x,y) = (2,-1)

Passo 3: Encontramos a solução geral.

x = x0 +
b
mdc(a,b)
* k
y = y0
a
mdc(a,b)
* k

Aplicando ao nosso caso

Vamos utilizar a solução particular (-1,1).

x = -1 +
3
1
* k = -1 + 3k
y = 1 –
2
1
* k = 1 – 2k

Portanto, para qualquer inteiro k, a solução deve satisfazer a equação original.

Exemplo 2

Para colocar 13 abóboras em grupos de 3 ou de 5, quantos grupos serão formados de cada tipo?


Resolver esse problema significa encontrar as soluções inteiras e positivas da equação 3x + 5y = 13.

Passo 1: Checar se há solução.
O mdc(3,5) = 1 e 1|13, logo há solução.

Passo 2: Encontrar uma solução particular.

  • Se y = 0, teremos 3x + 5(0) = 13 → 3x = 13 → x = 13/3 que não é inteiro, portanto não serve.
  • Se y = 1, teremos 3x + 5(1) = 13 → 3x = 8 → x = 8/3 que não é inteiro, portanto não serve.
  • Se y = 2, teremos 3x + 5(2) = 13 → 3x = 3 → x = 3/3 = 1. Solução (x,y) = (1,2)

Passo 3: Encontrar a solução geral.

x = x0 + 5k
y = y0 – 3k

O leitor poderá realizar testes incluindo valores para k e chegará a conclusão de que a única solução possível será (1,2), ou seja, 1 grupo de 3 abóboras e 2 grupos de 5 abóboras.

Exemplo 3

Um laboratório dispõe de 2 máquinas para o processo de examinar amostras de sangue. Uma delas examina 15 amostras a cada processo, a outra examina 25 amostras. Quantas vezes essas máquinas devem ser acionadas para conseguir examinar 1000 amostras de sangue?


Resolver esse problema significa solucionar a equação 15x + 25y = 1000, onde x e y representam os ciclos de funcionamento.

15x + 25y = 1000
3x + 5y = 200

5y = 200 – 3x

y =
200 – 3x
5

Então, 200 – 3x deve ser divisível por 5 para que y seja inteiro, ou seja, 200 – 3x deve ser um número terminado em zero ou cinco.

Se x = 10

y =
200 – 3(10)
5
y =
170
5
= 34

Logo, uma das soluções é (10,34).

Vamos encontrar a solução geral.

x = 10 + 5k
y = 34 – 3k

Para k = 11, temos x = 65 e y = 1, dessa forma a máquina que examina 15 amostras seria usada 65 vezes e a máquina que examina 25 ammostras seria usada 1 vez.
Para k = 3, temos x = 25 e y = 25, dessa forma cada máquina seria utiliza igualmente. Existem ao todo 14 combinações diferentes para serem testadas.

Exemplo 4

Resolva a equação diofantina 252x + 105y = 42.


Passo 1: Encontrar o mdc(105,252) = 21 e verificar se 21 | 42, se sim, a equação possui solução.

Dividimos o maior número 252 pelo menor 105.
252 = 2 . 105 + 42

Em seguida dividimos 105 pelo resto 42
105 = 2 . 42 + 21

Prosseguimos dividindo 42 pelo resto 21
42 = 2 . 21 + 0

Visto que obtivemos resto zero, concluímos pelo teorema de Euclides para o mdc que o mdc(105,252) = 21.

Passo 2:
Escrevemos o mdc(105,252) como combinação linear de 105 e 252.

21 = 105 – 2 . 42
21 = 105 – 2 (252 – 2 . 105)
21 = 105 – 2 . 252 + 4 . 105
21 = 105(1 + 4) + 252(-2)
21 = 105(5) + 252(-2)
21 * 2 = 105(5) + 252(-2) * 2
42 = 252(-4) + 105(10)

Portanto a solução procurada é o par ordenado (-4,10).

Estatística

O que você vai estudar:
    1. Medidas de posição

Medidas de posição

Medidas de posição ou de tendência central são valores únicos com o objetivo de representar o conjunto de dados como um todo. As mais utilizadas são: Média, Mediana e Moda.

Média

Média aritmética
Encontramos a média aritmética somando os valores dos dados e dividindo pelo número de obserações.
Temos dois tipos de média: a média populacional e a média amostral.

Os pesos de uma amostra de adultos foi coletada para um estudo. Qual é o peso médio dessa amostra?

87,52; 88,53; 69,29; 65,19; 81,38; 83,40; 71,19

Visto que o exemplo trata de uma amostra vamos utilizar a fórmula da média amostral.

x =
(87,52 + 88,53 + 69,29 + 65,19 + 81,38 + 83,40 + 71,19)
7
= 78,07

Portanto, o peso médio de um adulto será de 78,07 kg.

Média geométrica

A média geométrica tem grandes aplicações em situações de acumulação de aumento ou decrescimento percentual.

Dado um conjunto A = {2,8,16,32} qual é a média geométrica dos elementos desse conjunto?
O conjunto A possui 4 elementos, logo a fórmula da média geométrica será:

g = 4√ (2*8*16*32)
g = 4√ (2 . 2³ . 24 . 25)
g = 4√ (24 . 24 . 24 . 2)
g = 8 4√ 2 ≅ 9,51


Uma empresa teve um crescimento de 30% no primeiro ano, 15% no segundo ano e 20% no terceiro ano. Qual foi a taxa média de crescimento dessa empresa?

g = 3√ (1,30*1,15*1,2) ≅ 1,2150

Portanto, a taxa de crescimento da empresa foi de 21,5%.

Se quisermos tirar a prova podemos fazer:

Suponhamos que a empresa vendeu 100 mil unidades monetárias. Vamos aplicar os crescimentos sucessivos encima desse valor.

100 → cresceu 30% → 130% → cresceu +15% → 149,5% → cresceu +20% → 179,4%

Agora vamos usar o crescimento médio.

100 → cresceu 21,5% → 121,5% → cresceu +21,5% → 147,62% → cresceu +21,5% → 179,4%

Mediana

A mediana divide um conjunto de dados ao meio. Para encontrarmos a mediana devemos ordenar os dados e então procurar o valor central. Se o conjunto tiver um número ímpar de dados a mediana será o valor central, caso o conjunto apresente um valor par de elementos a mediana será calculada fazendo-se a média aritmética dos dois elementos centrais.
A tabela abaixo apresenta o preço de um determinado produto nos sete supermercados de uma cidade. Qual é o preço mediano desse produto?

  • R$ 11,44
  • R$ 10,82
  • R$ 6,78
  • R$ 7,81
  • R$ 7,79
  • R$ 10,51
  • R$ 5,18

Vamos inicialmente ordenar os valores encontrados.

R$ 5,18 R$ 6,78 R$ 7,79 R$ 7,81 R$ 10,51 R$ 10,82 R$ 11,44

Veja que o valor R$ 7,81 divide o conjunto de preços ao meio. Já que o conjunto apresenta um valor ímpar de elementos é só procurarmos o valor central no rol de dados.
Com base na mediana podemos concluir que 50% dos valores são menores do que R$ 7,81 e 50% dos valores são maiores do que R$ 7,81.

Vamos incluir na pesquisa de preço mais um supermercado, portanto nossa lista terá mais um preço.

  • R$ 11,44
  • R$ 10,82
  • R$ 6,78
  • R$ 7,81
  • R$ 7,79
  • R$ 10,51
  • R$ 5,18
  • R$ 8,90

Ordenando os dados teremos:

R$ 5,18 R$ 6,78 R$ 7,79 R$ 7,81 R$ 8,90 R$ 10,51 R$ 10,82 R$ 11,44

Visto que temos 8 elementos, um número par, a mediana será calculada fazendo-se a média aritmética dos dois valores centrais.

Med =
7,81 + 8,90
2
= 8,35

Portanto, o preço mediano nessa nova situação será R$ 8,35.

Distribuição discreta de probabilidade

Vamos iniciar esse conceito com um experimento. Vamos lançar uma moeda honesta duas vezes e anotar os resultados. Quais são os possíveis resultados?
(K,C) Podemos ter cara (K) no 1º lançamento e coroa (C) no segundo lançamento.
(C,K) Podemos ter coroa (C) no 1º lançamento e cara (K) no segundo lançamento.
(K,K) Podemos ter cara (K) no 1º lançamento e cara (K) no segundo lançamento.
(C,C) Podemos ter coroa (C) no 1º lançamento e coroa (C) no segundo lançamento.

Seja X a variável aleatória responsável por avaliar a condição “Obter cara no experimento”.
Note que X pode assumir valores diferentes, portanto ao lançarmos uma moeda duas vezes podemos obter 0, 1 ou 2 caras.

X = {0,1,2}

Diante do resultado do experimento podemos questionar:
• Qual a probabilidade de se obter 1 cara?
• Qual a probabilidade de se obter pelos menos 1 cara?

X=xi P(X=xi)
0 1/4
1 2/4
2 1/4

De acordo com a tabela podemos responder às perguntas:
• Qual a probabilidade de se obter 1 cara?

P(X=1) = 2/4 ou 1/2 (50%) → são dois resultados possíveis dividido pelo total de possibilidades.

• Qual a probabilidade de se obter pelos menos 1 cara?

P(X >= 1) = 3/4 ou 75%

(Estatística Aplicada: Larson & Farber pag 179)
Dessa forma, uma distribuição discreta de probabilidade lista cada valor possível que a
variável aleatória pode assumir, com sua respectiva probabilidade.

Uma distribuição de probabilidade discreta deve obedece às seguintes condições:

• A probabilidade de cada valor da variável aleatória discreta está entre 0 e 1, inclusive.
• A soma de todas as probabilidades é 1.

Estruturas algébricas

O que você vai estudar:
      1. Operações binárias
      2. Estruturas algébricas

Operações binárias

Considere um conjunto qualquer A não vazio e utilizando uma operação * (estrela) vamos aplicar esta operação a dois elementos genéricos desse conjunto.

*. AxA → A
(x,y) → A = x * y

Tem-se a operação * (estrela) aplicada ao conjunto A cartesiano A.O resultado dessa aplicação também está em A.
A operação é realizada em dois elementos quaisquer de A. x * y é lido como x operado com y.

Operação de adição em N
A operação de adição é interna ou fechada em N, ou seja, ela está bem definida, já que ao realizar a operação de adição com qualquer elemento de N sempre teremos como resultado um elemento de N.

+. NxN → N
(x,y) → N = x + y ∈ N ∀ x, y ∈ N

Operação de subtração em N
A operação de subtração em N não está totalmente definida.

-. NxN → N
(x,y) → N = x – y

O resultado da operação x – y só pertence a N quando x > y, caso contrário teremos um número negativo. E como sabemos o conjunto dos Naturais não comporta números dessa natureza.

Propriedades das operações binárias

Comutativa
Seja (A,*) um conjunto A munido da operação * e seja (x,y) dois elementos quaisquer desse conjunto. Dizemos que a operação * é comutativa quando x * y = y * x.

Associativa
Uma operação é dita associativa quando x * (y * z) = (x * y) * z.

Elemento neutro
Uma operação admite elemento neutro quando x * e = e * x = x, ∀ x ∈ A.

Elemento simétrico
Uma operação admite elemento simétrico quando x * x-1 = e , ∀ x ∈ A. Isso quer dizer que ao operarmos um elemento qualquer do conjunto A com seu simétrico sempre teremos como resultado o elemento neutro.

Distributiva
Uma operação é dita distributiva quando x ⚀(y Δ z) = (x ⚀ y) Δ (x ⚀ z), ∀ x, y e z ∈ A.

Estruturas algébricas

Seja (A,*) um conjunto e uma operação. Dizemos que A possui uma estrutura algébrica quando definimos em A uma operação interna *.

A estrutura algébrica recebe determinadas classificações dependendo das propriedades satisfeitas pela operação *.

Propriedade Classificação
Fechamento Grupoide (magma)
Fechamento e associativa Semigrupo
Fechamento, associativa e elemento neutro Monoide
Fechamento, associatividade, elemento neutro e elemento simetrizável Grupo

Grupos

Dado um conjunto A com uma operação interna * (estrela) dizemos que * define uma estrutura de grupo em A quando satisfizer as propriedades abaixo:

*. AxA → A
(x,y) → A = x * y, ∀ x, y ∈ A ⇒ x * y ∈ A

Associativa: x * (y * z) = (x * y) * z
Elemento neutro: x * e = e * x = x
Elemento simétrico: x * x-1 = e

Se além das propriedades já citadas a operação admitir a comutatividade dizemos que o conjunto A é um grupo abeliano ou comutativo.

Veja na tabela abaixo alguns grupos importantes.

Conjunto Operação Grupo
Z + Comutativo
Q + Comutativo
(R,+), (C,+), (Q*,.), (R*,.), (C*,.)   Comutativo
(Zm,+) + Comutativo
Mmxn(Z),Mmxn(Q),Mmxn(R),Mmxn(C) + Grupo

Propriedades imediatas

a) O elemento e de A é único.
b) ∀ x ∈ A existe um único inverso.
c) Para quaisquer x, y ∈ A vale (x * y)-1 = x-1 * y-1.
d) ∀ x ∈ A vale que (x-1)-1 = x
e) Se x, y, z ∈ A e x * y = x * z ⇒ y = z (Lei do cancelamento)

Elementos regulares

Dado um conjunto A e um elemento a dizemos que a é um elemento regular de A se:

1. a * x = a * y ⇒ x = y, ∀ x, y ∈ A
2. x * a = y * a ⇒ x = y, ∀ x, y ∈ A

O conjunto dos elementos regulares de A é escrito como R * (A) = {a,b,c, …}.

Exemplos:

1) 5 é elemento regular para a adição em N, já que 5 + x = 5 + y, logo, x = y ∀ x e y ∈ N.
1) 2 é elemento regular para a multiplicação em Z, já que 2x = 2y, logo, x = y ∀ x e y ∈ Z.

Exemplos

1) Seja (C,+) um conjunto com a operação de adição usual, sendo C = {-2,-1,0,1,2}. Verifique se C é um grupo.


Para que C seja um grupo deve valer as propriedades abaixo:
*. CxC → C
(x,y) → C = x * y, ∀ x, y ∈ C ⇒ x * y ∈ C

Tomemos o elementos 1 e 2 pertencentes a C. Veja que (1,2) → C = 1 + 2 = 3 e 3 ∉ C.
Logo, a operação + não define uma estrutura de grupo em C.

2) Seja (B,.) um conjunto com a operação de multiplicação usual, sendo B = {x ∈ Z | x é impar}. Verifique se B é um grupo.


Para que B seja um grupo deve valer as propriedades abaixo:
*. BxB → B
(x,y) → B = x * y, ∀ x, y ∈ B ⇒ x * y ∈ B

O conjunto B cumpre com as propriedades: associativa e existência do elemento neutro, mas não cumpre com a existência do elemento simetrizável. Para isto, basta escolher um contra-exemplo.

Tomemos o elemento 3 ∈ B. 3 . 3-1 = 1, porém 3-1 = ⅓ e ⅓ ∉ B. Portanto, B não é um grupo.

Tábua de uma operação

Uma tábua de uma operação é um dispositivo que permite encontrar todas as combinações de uma aplicação f num conjunto E. Como exemplo vamos construir a tábua da multiplicação em E={-1,0,1}.

-1 0 1
-1 1 0 -1
0 0 0 0
1 -1 0 1

Na célula vermelha colocamos a operação. A linha amarela é chamada de linha fundamental e a coluna amarela de coluna fundamental. Na tábua acima temos uma aplicação f: ExE → E que associa a cada par (ai,aj) o elemento ai * aj = aij.

Veja outro exemplo onde temos o conjunto D = {1,3,9,27} e x * y = mmc(x,y). Vamos montar a tábua dessa operação.

* 1 3 9 27
1 1 3 9 27
3 3 3 9 27
9 9 9 9 27
27 27 27 27 27

Propriedades das operações na tábua

Dado um conjunto F = {1, i, -1, -i} e x * y = x • y.

1 i -1 -i
1 1 i -1 -i
i i -1 -i 1
-1 -1 -i 1 i
-i -i 1 i -1

Podemos verificar se F é um grupo observando as propriedades na tábua de operação.
A propriedade associativa já é validada quando o exercício pede que use a tábua de operação.

Existência do elemento neutro
Procuramos a linha onde repete todos os elementos da linha fundamental.

1 i -1 -i
1 1 i -1 -i
i i -1 -i 1
-1 -1 -i 1 i
-i -i 1 i -1

Neste exemplo o elemento neutro é o 1, já que ao operarmos qualquer elemento com 1 teremos o próprio elemento.

Subgrupos

Seja (G,*) um grupo e suponha (H,*) um subgrupo de G. Para que H seja subgrupo de G é necessário cumprir certos requisitos.

  1. x, yH, tem-se que x * yH
  2. bH, ∃ b’H; b’H

Portanto, para que um grupo H seja subgrupo de um grupo G é necessário que:
– Ao tomarmos dois elementos quaisquer de H e operá-los entre si o resultado ainda estará em H.
– Para todo elemento de H existe o seu simétrico.

Dado (G,*) um grupo, seja (R,*) e (S,*) subgrupos de G, logo RS é um subgrupo de G. Veja como é fácil perceber.
Dados aR e aS, visto que o elemento a pertence a ambos os conjuntos então pertencerá a RS.

Atenção
R ∪ S não é subgrupo de G.

Exemplos

1) Sabendo que (Z,+) é um grupo, considere o subconjunto H = {2n / n ∈ Z}. H também pode ser representado como 2Z. Verifique se H é subgrupo de (Z,+).


Para isso vamos verificar duas propriedades:
1. Dados dois elementos de H, u e v, sendo u = 2n e v = 2m, com n e m ∈ Z. Ao operarmos esses dois elementos entre si o resultado deverá pertencer ao subconjunto H.

u + v = 2n + 2m = 2(n + m)
fazendo n + m = q, tem-se u + v = 2q, visto que q ∈ Z, logo 2q = u + v ∈ H. (Comprovada a propriedade do fechamento)

2. Dado um elemento qualquer b ∈ H, ∃ b’ ∈ H.

se b = 2n com n ∈ Z, então b’ = -2n pela operação (+), logo b’ ∈ H.

Fica assim comprovado que H = 2Z é um subgrupo de (Z,+).