As congruências lineares são fundamentais na teoria dos números porque:
Primeiras definições
Se n ∈ ℤ* tal que n > 1, os números a, b, ∈ ℤ são congruentes módulo n se n | (a – b).
Lê-se a é congruente a b módulo n, ou seja, a e b deixam o mesmo resto na divisão por n.
Exemplos:
9 ≡ 5 (mod 2) → 2 | 9 – 5
23 ≡ 11 (mod 6) → 6 | 23 – 11
Propriedades
1) Encontre o resto da divisão de 2100 por 11.
Vamos utilizar a seguinte estrutura base: Se p ∤ a, então p | ap – 1 – 1, com p primo.
11 é um número primo, logo 11 ∤ 2, então 11 | 211 – 1 – 1, ou seja, 211 – 1 ≡ 1 (mod 11).
210 ≡ 1 (mod 11)
Utilizando a propriedade am ≡ bm (mod n) temos:
(210)10 ≡ 110 (mod 11)
2100 ≡ 1 (mod 11)
logo, o resto da divisão de 2100 por 11 vale 1.
2) Encontre o resto da divisão de 746 por 15.
Vamos utilizar as propriedades aprendidas.
a ≡ a (mod n)
7 ≡ 7 (mod 15)
7² ≡ 4 (mod 15)
7³ ≡ 13 (mod 15)
74 ≡ 1 (mod 15)
O expoente 46 = 4 . 11 + 2
7² ≡ 4 (mod 15)
(74)11 ≡ 111 (mod 15)
Multiplicando as congruências obtemos:
744 . 7² ≡ 1 . 4 (mod 15)
746 ≡ 4 (mod 15)
Logo, o resto procurado vale 4.
Classes de congruência são conjuntos de números inteiros que são “congruentes entre si” módulo 𝑚, ou seja, que deixam o mesmo resto quando divididos por um número inteiro 𝑚.
Definição formal
Dado um número inteiro m > 1 (o módulo), e um inteiro a, a classe de congruência de a módulo m é o conjunto de todos os inteiros que são congruentes a a módulo m. Notamos isso por:
[a]m = {x ∈ Z | x ≡ a (mod m)}
ou seja, é o conjunto de todos os inteiros x tais que x – a é múltiplo de m.
Exemplo
Se m = 5, temos as seguintes classes de congruência possíveis:
[0]5 = {…, -10, -5, 0, 5, 10, 15, …} deixam resto 0 na divisão por 5.
[1]5 = {…, -9, -4, 1, 6, 11, …} deixam resto 1 na divisão por 5.
[2]5 = {…, -8, -3, 2, 7, 12, …} deixam resto 2 na divisão por 5.
[3]5 = {…, -7, -2, 3, 8, 13, …} deixam resto 3 na divisão por 5.
[4]5 = {…, -6, -1, 4, 9, 14 …} deixam resto 4 na divisão por 5.
Qualquer número inteiro pertence a uma dessas 5 classes. Por exemplo, o número 17 pertence a classe [2]5, porque 17 ≡ 2 (mod 5).
Isso nos leva a querer entender o que são conjuntos completos de resíduos.
Note que o conjunto S={0,1,2,3,4} é um conjunto completo de resíduos módulo 5. Da mesma forma o conjunto T = {5,11,22,33,44} também é um conjunto completo de resíduos módulo 5.
Percebemos que um conjunto de resíduos módulo n possui exatamente n elementos.
Portanto, um conjunto M = {r0, r1, …, rk} é um sistema completo de resíduos módulo n se:
Chamamos de congruência linear a toda equação da forma ax ≡ b (mod m). Todo inteiro x0, tal que ax0 ≡ b (mod m) é uma solução da equação ax ≡ b (mod m).
Se x0 é uma solução da equação ax ≡ b (mod m), então m | (ax0 – b), logo ax0 – b = my0. Fazendo algumas manipulações chegamos em ax0 + (-m)y0 = b. Por fim, encontrar a solução da equação ax ≡ b (mod m) significa encontrar a solução da equação diofantina ax0 + (-m)y0 = b. E já sabemos de textos anteriores que uma equação diofantina tem solução se o mdc dos seus coeficientes dividir o termo independente, ou seja, se o mdc(a,-m) = mdc(a,m) dividir b.
ax + by = c
ax² + by² + cz² = d
ax³ + by³ = c
As equações diofantinas recebem esse nome em homenagem ao matemático grego Diofanto, que viveu em meados do século III. No escopo das equações diofantinas o que nos interessa são as suas soluções no conjunto dos inteiros.
Em nosso estudo iremos focar nas equações diofantinas lineares do tipo ax + by = c, onde a, b e c ∈ ℤ e x, y são as incógnitas que também devem ser inteiras.
Tipos principais
Condições importantes
Encontre a solução da equação 2x + 3y = 1.
Passo 1: Checar se há solução.
O mdc(2,3) = 1 e 1|1, logo há solução.
Passo 2: Encontrar uma solução particular.
Isolamos uma variável, por exemplo x.
2x = 1 – 3y
| x = |
|
Para que x seja inteiro, 1 – 3y deve ser par.
Testamos valores para y:
Passo 3: Encontramos a solução geral.
| x = | x0 + |
|
* k |
| y = | y0 – |
|
* k |
Aplicando ao nosso caso
Vamos utilizar a solução particular (-1,1).
| x = | -1 + |
|
* k | = | -1 + 3k |
| y = | 1 – |
|
* k | = | 1 – 2k |
Portanto, para qualquer inteiro k, a solução deve satisfazer a equação original.
Para colocar 13 abóboras em grupos de 3 ou de 5, quantos grupos serão formados de cada tipo?
Resolver esse problema significa encontrar as soluções inteiras e positivas da equação 3x + 5y = 13.
Passo 1: Checar se há solução.
O mdc(3,5) = 1 e 1|13, logo há solução.
Passo 2: Encontrar uma solução particular.
Passo 3: Encontrar a solução geral.
x = x0 + 5k
y = y0 – 3k
O leitor poderá realizar testes incluindo valores para k e chegará a conclusão de que a única solução possível será (1,2), ou seja, 1 grupo de 3 abóboras e 2 grupos de 5 abóboras.
Um laboratório dispõe de 2 máquinas para o processo de examinar amostras de sangue. Uma delas examina 15 amostras a cada processo, a outra examina 25 amostras. Quantas vezes essas máquinas devem ser acionadas para conseguir examinar 1000 amostras de sangue?
Resolver esse problema significa solucionar a equação 15x + 25y = 1000, onde x e y representam os ciclos de funcionamento.
15x + 25y = 1000
3x + 5y = 200
5y = 200 – 3x
| y = |
|
Então, 200 – 3x deve ser divisível por 5 para que y seja inteiro, ou seja, 200 – 3x deve ser um número terminado em zero ou cinco.
Se x = 10
| y = |
|
| y = |
|
= | 34 |
Logo, uma das soluções é (10,34).
Vamos encontrar a solução geral.
x = 10 + 5k
y = 34 – 3k
Para k = 11, temos x = 65 e y = 1, dessa forma a máquina que examina 15 amostras seria usada 65 vezes e a máquina que examina 25 ammostras seria usada 1 vez.
Para k = 3, temos x = 25 e y = 25, dessa forma cada máquina seria utiliza igualmente. Existem ao todo 14 combinações diferentes para serem testadas.
Resolva a equação diofantina 252x + 105y = 42.
Passo 1: Encontrar o mdc(105,252) = 21 e verificar se 21 | 42, se sim, a equação possui solução.
Dividimos o maior número 252 pelo menor 105.
252 = 2 . 105 + 42
Em seguida dividimos 105 pelo resto 42
105 = 2 . 42 + 21
Prosseguimos dividindo 42 pelo resto 21
42 = 2 . 21 + 0
Visto que obtivemos resto zero, concluímos pelo teorema de Euclides para o mdc que o mdc(105,252) = 21.
Passo 2:
Escrevemos o mdc(105,252) como combinação linear de 105 e 252.
21 = 105 – 2 . 42
21 = 105 – 2 (252 – 2 . 105)
21 = 105 – 2 . 252 + 4 . 105
21 = 105(1 + 4) + 252(-2)
21 = 105(5) + 252(-2)
21 * 2 = 105(5) + 252(-2) * 2
42 = 252(-4) + 105(10)
Portanto a solução procurada é o par ordenado (-4,10).
Medidas de posição ou de tendência central são valores únicos com o objetivo de representar o conjunto de dados como um todo. As mais utilizadas são: Média, Mediana e Moda.
Média aritmética
Encontramos a média aritmética somando os valores dos dados e dividindo pelo número de obserações.
Temos dois tipos de média: a média populacional e a média amostral.
| µ | = |
|
| x | = |
|
Os pesos de uma amostra de adultos foi coletada para um estudo. Qual é o peso médio dessa amostra?
87,52; 88,53; 69,29; 65,19; 81,38; 83,40; 71,19
Visto que o exemplo trata de uma amostra vamos utilizar a fórmula da média amostral.
| x | = |
|
= | 78,07 |
Portanto, o peso médio de um adulto será de 78,07 kg.
Média geométrica
A média geométrica tem grandes aplicações em situações de acumulação de aumento ou decrescimento percentual.
Dado um conjunto A = {2,8,16,32} qual é a média geométrica dos elementos desse conjunto?
O conjunto A possui 4 elementos, logo a fórmula da média geométrica será:
g = 4√ (2*8*16*32)
g = 4√ (2 . 2³ . 24 . 25)
g = 4√ (24 . 24 . 24 . 2)
g = 8 4√ 2 ≅ 9,51
Uma empresa teve um crescimento de 30% no primeiro ano, 15% no segundo ano e 20% no terceiro ano. Qual foi a taxa média de crescimento dessa empresa?
g = 3√ (1,30*1,15*1,2) ≅ 1,2150
Portanto, a taxa de crescimento da empresa foi de 21,5%.
Se quisermos tirar a prova podemos fazer:
Suponhamos que a empresa vendeu 100 mil unidades monetárias. Vamos aplicar os crescimentos sucessivos encima desse valor.
100 → cresceu 30% → 130% → cresceu +15% → 149,5% → cresceu +20% → 179,4%
Agora vamos usar o crescimento médio.
100 → cresceu 21,5% → 121,5% → cresceu +21,5% → 147,62% → cresceu +21,5% → 179,4%
A mediana divide um conjunto de dados ao meio. Para encontrarmos a mediana devemos ordenar os dados e então procurar o valor central. Se o conjunto tiver um número ímpar de dados a mediana será o valor central, caso o conjunto apresente um valor par de elementos a mediana será calculada fazendo-se a média aritmética dos dois elementos centrais.
A tabela abaixo apresenta o preço de um determinado produto nos sete supermercados de uma cidade. Qual é o preço mediano desse produto?
Vamos inicialmente ordenar os valores encontrados.
R$ 5,18 R$ 6,78 R$ 7,79 R$ 7,81 R$ 10,51 R$ 10,82 R$ 11,44
Veja que o valor R$ 7,81 divide o conjunto de preços ao meio. Já que o conjunto apresenta um valor ímpar de elementos é só procurarmos o valor central no rol de dados.
Com base na mediana podemos concluir que 50% dos valores são menores do que R$ 7,81 e 50% dos valores são maiores do que R$ 7,81.
Vamos incluir na pesquisa de preço mais um supermercado, portanto nossa lista terá mais um preço.
Ordenando os dados teremos:
R$ 5,18 R$ 6,78 R$ 7,79 R$ 7,81 R$ 8,90 R$ 10,51 R$ 10,82 R$ 11,44
Visto que temos 8 elementos, um número par, a mediana será calculada fazendo-se a média aritmética dos dois valores centrais.
| Med | = |
|
= | 8,35 |
Portanto, o preço mediano nessa nova situação será R$ 8,35.
Vamos iniciar esse conceito com um experimento. Vamos lançar uma moeda honesta duas vezes e anotar os resultados. Quais são os possíveis resultados?
(K,C) Podemos ter cara (K) no 1º lançamento e coroa (C) no segundo lançamento.
(C,K) Podemos ter coroa (C) no 1º lançamento e cara (K) no segundo lançamento.
(K,K) Podemos ter cara (K) no 1º lançamento e cara (K) no segundo lançamento.
(C,C) Podemos ter coroa (C) no 1º lançamento e coroa (C) no segundo lançamento.
Seja X a variável aleatória responsável por avaliar a condição “Obter cara no experimento”.
Note que X pode assumir valores diferentes, portanto ao lançarmos uma moeda duas vezes podemos obter 0, 1 ou 2 caras.
X = {0,1,2}
Diante do resultado do experimento podemos questionar:
• Qual a probabilidade de se obter 1 cara?
• Qual a probabilidade de se obter pelos menos 1 cara?
| X=xi | P(X=xi) |
|---|---|
| 0 | 1/4 |
| 1 | 2/4 |
| 2 | 1/4 |
De acordo com a tabela podemos responder às perguntas:
• Qual a probabilidade de se obter 1 cara?
P(X=1) = 2/4 ou 1/2 (50%) → são dois resultados possíveis dividido pelo total de possibilidades.
• Qual a probabilidade de se obter pelos menos 1 cara?
P(X >= 1) = 3/4 ou 75%
(Estatística Aplicada: Larson & Farber pag 179)
Dessa forma, uma distribuição discreta de probabilidade lista cada valor possível que a
variável aleatória pode assumir, com sua respectiva probabilidade.
Uma distribuição de probabilidade discreta deve obedece às seguintes condições:
• A probabilidade de cada valor da variável aleatória discreta está entre 0 e 1, inclusive.
• A soma de todas as probabilidades é 1.
Considere um conjunto qualquer A não vazio e utilizando uma operação * (estrela) vamos aplicar esta operação a dois elementos genéricos desse conjunto.
Operação de adição em N
A operação de adição é interna ou fechada em N, ou seja, ela está bem definida, já que ao realizar a operação de adição com qualquer elemento de N sempre teremos como resultado um elemento de N.
+. NxN → N
(x,y) → N = x + y ∈ N ∀ x, y ∈ N
Operação de subtração em N
A operação de subtração em N não está totalmente definida.
-. NxN → N
(x,y) → N = x – y
O resultado da operação x – y só pertence a N quando x > y, caso contrário teremos um número negativo. E como sabemos o conjunto dos Naturais não comporta números dessa natureza.
Comutativa
Seja (A,*) um conjunto A munido da operação * e seja (x,y) dois elementos quaisquer desse conjunto. Dizemos que a operação * é comutativa quando x * y = y * x.
Associativa
Uma operação é dita associativa quando x * (y * z) = (x * y) * z.
Elemento neutro
Uma operação admite elemento neutro quando x * e = e * x = x, ∀ x ∈ A.
Elemento simétrico
Uma operação admite elemento simétrico quando x * x-1 = e , ∀ x ∈ A. Isso quer dizer que ao operarmos um elemento qualquer do conjunto A com seu simétrico sempre teremos como resultado o elemento neutro.
Distributiva
Uma operação é dita distributiva quando x ⚀(y Δ z) = (x ⚀ y) Δ (x ⚀ z), ∀ x, y e z ∈ A.
Seja (A,*) um conjunto e uma operação. Dizemos que A possui uma estrutura algébrica quando definimos em A uma operação interna *.
A estrutura algébrica recebe determinadas classificações dependendo das propriedades satisfeitas pela operação *.
| Propriedade | Classificação |
|---|---|
| Fechamento | Grupoide (magma) |
| Fechamento e associativa | Semigrupo |
| Fechamento, associativa e elemento neutro | Monoide |
| Fechamento, associatividade, elemento neutro e elemento simetrizável | Grupo |
Dado um conjunto A com uma operação interna * (estrela) dizemos que * define uma estrutura de grupo em A quando satisfizer as propriedades abaixo:
Associativa: x * (y * z) = (x * y) * z
Elemento neutro: x * e = e * x = x
Elemento simétrico: x * x-1 = e
Veja na tabela abaixo alguns grupos importantes.
| Conjunto | Operação | Grupo |
|---|---|---|
| Z | + | Comutativo |
| Q | + | Comutativo |
| (R,+), (C,+), (Q*,.), (R*,.), (C*,.) | Comutativo | |
| (Zm,+) | + | Comutativo |
| Mmxn(Z),Mmxn(Q),Mmxn(R),Mmxn(C) | + | Grupo |
a) O elemento e de A é único.
b) ∀ x ∈ A existe um único inverso.
c) Para quaisquer x, y ∈ A vale (x * y)-1 = x-1 * y-1.
d) ∀ x ∈ A vale que (x-1)-1 = x
e) Se x, y, z ∈ A e x * y = x * z ⇒ y = z (Lei do cancelamento)
Dado um conjunto A e um elemento a dizemos que a é um elemento regular de A se:
1. a * x = a * y ⇒ x = y, ∀ x, y ∈ A
2. x * a = y * a ⇒ x = y, ∀ x, y ∈ A
O conjunto dos elementos regulares de A é escrito como R * (A) = {a,b,c, …}.
Exemplos:
1) 5 é elemento regular para a adição em N, já que 5 + x = 5 + y, logo, x = y ∀ x e y ∈ N.
1) 2 é elemento regular para a multiplicação em Z, já que 2x = 2y, logo, x = y ∀ x e y ∈ Z.
1) Seja (C,+) um conjunto com a operação de adição usual, sendo C = {-2,-1,0,1,2}. Verifique se C é um grupo.
Para que C seja um grupo deve valer as propriedades abaixo:
*. CxC → C
(x,y) → C = x * y, ∀ x, y ∈ C ⇒ x * y ∈ C
Tomemos o elementos 1 e 2 pertencentes a C. Veja que (1,2) → C = 1 + 2 = 3 e 3 ∉ C.
Logo, a operação + não define uma estrutura de grupo em C.
2) Seja (B,.) um conjunto com a operação de multiplicação usual, sendo B = {x ∈ Z | x é impar}. Verifique se B é um grupo.
Para que B seja um grupo deve valer as propriedades abaixo:
*. BxB → B
(x,y) → B = x * y, ∀ x, y ∈ B ⇒ x * y ∈ B
O conjunto B cumpre com as propriedades: associativa e existência do elemento neutro, mas não cumpre com a existência do elemento simetrizável. Para isto, basta escolher um contra-exemplo.
Tomemos o elemento 3 ∈ B. 3 . 3-1 = 1, porém 3-1 = ⅓ e ⅓ ∉ B. Portanto, B não é um grupo.
Uma tábua de uma operação é um dispositivo que permite encontrar todas as combinações de uma aplicação f num conjunto E. Como exemplo vamos construir a tábua da multiplicação em E={-1,0,1}.
| • | -1 | 0 | 1 |
| -1 | 1 | 0 | -1 |
| 0 | 0 | 0 | 0 |
| 1 | -1 | 0 | 1 |
Na célula vermelha colocamos a operação. A linha amarela é chamada de linha fundamental e a coluna amarela de coluna fundamental. Na tábua acima temos uma aplicação f: ExE → E que associa a cada par (ai,aj) o elemento ai * aj = aij.
Veja outro exemplo onde temos o conjunto D = {1,3,9,27} e x * y = mmc(x,y). Vamos montar a tábua dessa operação.
| * | 1 | 3 | 9 | 27 |
| 1 | 1 | 3 | 9 | 27 |
| 3 | 3 | 3 | 9 | 27 |
| 9 | 9 | 9 | 9 | 27 |
| 27 | 27 | 27 | 27 | 27 |
Dado um conjunto F = {1, i, -1, -i} e x * y = x • y.
| • | 1 | i | -1 | -i |
| 1 | 1 | i | -1 | -i |
| i | i | -1 | -i | 1 |
| -1 | -1 | -i | 1 | i |
| -i | -i | 1 | i | -1 |
Podemos verificar se F é um grupo observando as propriedades na tábua de operação.
A propriedade associativa já é validada quando o exercício pede que use a tábua de operação.
Existência do elemento neutro
Procuramos a linha onde repete todos os elementos da linha fundamental.
| • | 1 | i | -1 | -i |
| 1 | 1 | i | -1 | -i |
| i | i | -1 | -i | 1 |
| -1 | -1 | -i | 1 | i |
| -i | -i | 1 | i | -1 |
Neste exemplo o elemento neutro é o 1, já que ao operarmos qualquer elemento com 1 teremos o próprio elemento.
Seja (G,*) um grupo e suponha (H,*) um subgrupo de G. Para que H seja subgrupo de G é necessário cumprir certos requisitos.
Portanto, para que um grupo H seja subgrupo de um grupo G é necessário que:
– Ao tomarmos dois elementos quaisquer de H e operá-los entre si o resultado ainda estará em H.
– Para todo elemento de H existe o seu simétrico.
Dado (G,*) um grupo, seja (R,*) e (S,*) subgrupos de G, logo R ∩ S é um subgrupo de G. Veja como é fácil perceber.
Dados a ∈ R e a ∈ S, visto que o elemento a pertence a ambos os conjuntos então pertencerá a R ∩ S.
1) Sabendo que (Z,+) é um grupo, considere o subconjunto H = {2n / n ∈ Z}. H também pode ser representado como 2Z. Verifique se H é subgrupo de (Z,+).
Para isso vamos verificar duas propriedades:
1. Dados dois elementos de H, u e v, sendo u = 2n e v = 2m, com n e m ∈ Z. Ao operarmos esses dois elementos entre si o resultado deverá pertencer ao subconjunto H.
u + v = 2n + 2m = 2(n + m)
fazendo n + m = q, tem-se u + v = 2q, visto que q ∈ Z, logo 2q = u + v ∈ H. (Comprovada a propriedade do fechamento)
2. Dado um elemento qualquer b ∈ H, ∃ b’ ∈ H.
se b = 2n com n ∈ Z, então b’ = -2n pela operação (+), logo b’ ∈ H.
Fica assim comprovado que H = 2Z é um subgrupo de (Z,+).