Livro de Matemática

Sumário

Ciclo trigonométrico

Veja na figura abaixo que o ciclo trigonométrico é formado por dois eixos que se cruzam e por uma circunferência de raio igual a um no seu centro. Perceba que o sentido positivo é o anti-horário. O sentido horário é negativo.

Orientação no ciclo trigonométrico

Os eixos que se cruzam acabam dividindo o ciclo trigonométrico em quatro quadrantes. Veja na figura como estão distribuidos.

Quadrantes no ciclo trigonométrico

O ciclo trigonométrico ainda apresenta como destaque quatro arcos: 90º, 180º, 270º e 360°. É possível visualizar na figura os seus correspondentes em radianos.

Principais ângulos no ciclo trigonométrico

 

Arcos congruentes

Veja a representação do arco de 60º no ciclo trigonométrico abaixo:

Arco de 60º representado no ciclo trigonométrico
Foi dada uma volta completa no ciclo trigonométrico
Foram dadas duas voltas completas no ciclo trigonométrico

Na segunda figura foi dada uma volta completa no ciclo retornando ao mesmo ponto terminal. Já na terceira figura foram dadas duas voltas completas e da mesma forma retornando ao mesmo ponto terminal. Portanto, os arcos de 60º + 360º, 60º + 2 * 360º, 60º + 3 * 360º, … , 60° + k * 360° têm o mesmo ponto terminal do arco de 60º.

Veja o mesmo esquema de arcos côngruos em radianos: π/3 + 2π, π/3 + 2 * 2π, π/3 + 3 * 2π, …, π/3 + k * 2π possuem o mesmo ponto terminal do arco π/3 rad.

Dois arcos são ditos côngruos quando têm o mesmo ponto terminal e diferem entre si apenas pelo número de voltas inteiras.

Se o arco mede αº, a expressão geral dos arcos côngruos é:

αº + k * 360º, com k ∈ Z.

Se o arco mede α rad, a expressão geral dos arcos côngruos é:

α + 2kπ, com k ∈ Z.

Seno de um ângulo

Arco AB
Projetando o seno do ângulo

Inicialmente tracemos um arco AB conforme a figura 1. O ponto P é a imagem do número real x (figura 2). Da figura 2 podemos retirar vários dados. Veja:

  • P é a imagem de x;
  • Ligando o ponto O ao ponto P obtemos o raio da circunferência, que neste caso vale 1;
  • OPP2 é um triângulo retângulo;
  • OPP1 também é um triângulo retângulo;
  • x é a medida do arco desde 0 até P;
  • OP1 é o seno de x;
  • PP2 = OP1

Usando as técnicas aplicadas ao triângulo retângulo podemos obter o seno de x.

senx = PP2 = OP1
OP OP

Logo, senx = OP1, pois OP = 1.
Note que como o raio vale 1, o valor do seno será sempre menor ou igual a 1. O eixo y agora se torna o eixo dos senos.

A função seno

Diagrama da função seno

Funções são relações com algumas restrições. No caso da função seno (y = senx) o domínio é igual ao contradomínio que por sua vez é igual ao conjunto dos reais, ou seja, D = C = ℜ. Porém, o conjunto imagem é um subconjunto do contradomínio.

Ciclo trigonométrio - função seno

Veja na imagem acima que a função seno está limitada entre -1 e 1. Logo, o conjunto imagem da função seno se restringe ao intervalo [-1,1]. Portanto, Im = [-1,1] ou -1 ≤ senx ≤ 1, ∀ x ∈ R.

Sinal da função seno

Na imagem acima verificamos o sinal da função seno em cada quadrante. Visto que o seno de x é representado no eixo vertical (eixo y), acima do eixo x (eixo horizontal) os valores da função são positivos, porém abaixo desse eixo os valores são negativos.

Valores notáveis

Na tabela abaixo encontram-se os valores dos senos dos ângulos mais comuns estudados em trigonometria. A partir destes ângulos podemos encontrar o seno de outros ângulos.

x sen x
0 0
π/6 1/2
π/4 √2/2
π/3 √3/2
π/2 1
π 0
3π/2 -1
0

Gráfico da função seno

Veja como fica o gráfico da função seno quando variamos x no intervalo de [0 , 2π].

Gráfico da função seno

Essa linha laranja presente no gráfico recebe o nome de senóide e ela continua à direita de 2π e à esquerda de 0 (zero). Na situação acima, foi dada uma volta completa no ciclo trigonométrico. Se dermos mais voltas a função seno repetirá seus valores. É por isso que a função seno é uma função periódica e seu período equivale a 2π. Portanto, quando somamos 2kπ ao arco x, estamos obtendo o mesmo valor para o seno.

sen x = sen(x + 2kπ), com k ∈ Z
Arco de 60º representado no ciclo trigonométrico
Foi dada uma volta completa no ciclo trigonométrico

Veja na primeira figura a representação do ângulo de 60º ou π/3. Em seguida dá-se uma volta completa no ciclo e retorna ao ponto de partida, ou seja, um arco de 60º + 360º(uma volta completa) o que resulta em 420º. O seno de 60º é igual a √3/2, como foi dada uma volta completa mais 60º, repetimos o valor do seno. Logo, o seno de 420º também é igual a √3/2.

A função seno é uma função ímpar

se f(-x) = – f(x) para todo x, então f tem um gráfico simétrico em relação à origem. Quando isso ocorre, dizemos que f é uma função ímpar.

Cíclo trigonométrico retratando a função seno como uma função impar

Portanto, sen x = – sen(-x).

Cosseno de um ângulo

Arco AB
Projetando o cosseno do ângulo

Inicialmente tracemos um arco AB conforme a figura 1. O ponto P é a imagem do número real x (figura 2). Da figura 2 podemos retirar vários dados. Veja:

  • P é a imagem de x;
  • Ligando o ponto O ao ponto P obtemos o raio da circunferência, que neste caso vale 1;
  • OPP2 é um triângulo retângulo;
  • OPP1 também é um triângulo retângulo;
  • x é a medida do arco desde 0 até P;
  • OP2 é o cosseno de x;
  • PP1 = OP2

Usando as técnicas aplicadas ao triângulo retângulo podemos obter o cosseno de x.

cos x = OP2
OP

Logo, cos x = OP2, pois OP = 1.
Note que como o raio vale 1, o valor do cosseno será sempre menor ou igual a 1. O eixo x agora se torna o eixo dos cossenos.

A função cosseno

Diagrama da função cosseno

Na da função cosseno (y = cos x) o domínio é igual ao contradomínio que por sua vez é igual ao conjunto dos reais, ou seja, D = C = R. Porém, o conjunto imagem é um subconjunto do contradomínio.

Ciclo trigonométrio - função cosseno

Veja na imagem acima que a função cosseno está limitada entre -1 e 1. Logo, o conjunto imagem da função cosseno se restringe ao intervalo [-1,1]. Portanto, Im = [-1,1] ou -1 ≤ cos x ≤ 1, ∀ x ∈ R.

Sinal da função cosseno

Na imagem acima verificamos o sinal da função cosseno em cada quadrante. Visto que o cosseno de x é representado no eixo horizontal (eixo x), à direita do eixo y (eixo vertical) os valores da função são positivos, porém à esquerda desse eixo os valores são negativos.

Valores notáveis

Na tabela abaixo encontram-se os valores dos cossenos dos ângulos mais comuns estudados em trigonometria. A partir destes ângulos podemos encontrar o cosseno de outros ângulos.

x cos x
0 0
π/6 √3/2
π/4 √2/2
π/3 1/2
π/2 0
π -1
3π/2 0
1

Gráfico da função cosseno

Veja como fica o gráfico da função cosseno quando variamos x no intervalo de [0 , 2π].

Gráfico da função cosseno

Essa linha laranja presente no gráfico recebe o nome de cossenóide e ela continua à direita de 2π e à esquerda de 0 (zero). Na situação acima, foi dada uma volta completa no ciclo trigonométrico. Se dermos mais voltas a função cosseno repetirá seus valores. A função cosseno também é uma função periódica e seu período equivale a 2π. Portanto, quando somamos 2kπ ao arco x, estamos obtendo o mesmo valor para o cosseno.

cos x = cos(x + 2kπ), com k ∈ Z

A função cosseno é uma função par

se f(-x) = f(x) para todo x, então f tem um gráfico simétrico em relação ao eixo y. Quando isso ocorre, dizemos que f é uma função par.

Cíclo trigonométrico retratando a função cosseno como uma função par

Portanto, cos(-x) = cos(x).

Simetria no estudo do seno e cosseno

Vamos fazer uso da simetria para entendermos como o seno e o cosseno de um ângulo se comporta.

Redução do segundo quadrante para o primeiro quadrante

Redução de um ângulo (180º - x) do segundo quadrante para o primeiro quadrante


sen(π – x) = sen x
cos (π – x) = – cos x

Redução do terceiro quadrante para o primeiro quadrante

Redução de um ângulo (180º + x) do terceiro quadrante para o primeiro quadrante


sen(π + x) = – sen x
cos (π + x) = – cos x

Redução do quarto quadrante para o primeiro quadrante

Redução de um ângulo (360º - x) do quarto quadrante para o primeiro quadrante


sen(2π – x) = – sen x
cos (2π – x) = cos x

Relações entre seno e cosseno

Arcos complementares

Arcos complementares

Para entendermos esta relação traçamos inicialmente um arco x no ciclo trigonométrico. A partir deste ponto traçamos um triângulo retângulo (na cor azul). Em seguida duplicamos este triângulo (na cor laranja), o rotacionamos e posicionamos seu maior cateto sobre o eixo dos senos conforme a figura acima. Após estas manipulações podemos extrair a seguintes relações entre seno e cosseno.

sen x = cos (π/2 – x), válida ∀ x ∈ R.

cos x = sen (π/2 – x), válida ∀ x ∈ R.

Relação fundamental I

Relação fundamental I

A partir de um arco x traçado no ciclo trigonométrico desenhamos um triângulo retângulo. Visto que o raio da circunferência vale 1 temos que OP = 1. Desta forma sen x = PP2 e cos x = OP2. Aplicando o teorema de Pitágoras no triângulo vermelho temos:

(sen x)² + (cos x)² = (OP)², ou seja,

sen² x + cos² x = 1, válida para ∀ x ∈ R.

Tangente de um ângulo

Tangente de um ângulo

Para o estudo da tangente de um ângulo será necessário inserir mais um eixo ao ciclo trigonométrico. Este eixo estará tangenciando o ciclo trigonométrico no ponto A (origem dos arcos) com orientação para cima. A partir da figura acima podemos retirar o seguintes dados:

  • T é a imagem de x;
  • OP2 é cos x;
  • OP1 é sen x;
  • OA vale 1;
  • AT é a tangente do número real x

Usando as técnicas aplicadas ao triângulo retângulo podemos obter a tangente de x.

tg x = PP2 = sen x
OP2 cos x

Função tangente

Função tangente

Conforme vimos no caso do seno e do cosseno de um ângulo, procuraremos associar a cada número real x o valor de tg x, introduzindo a função y = tg x. Perceba na figura acima que os arcos π/2 e 3π/2 estão representados com uma bolinha aberta. Isto indica que a tangente de x não está definida nestes pontos, já que nesta situação a reta que une o centro O à extremidade do arco x torna-se paralela ao eixo das tangentes, não o interceptando. De maneira geral, informamos que não existe tg(π/2 + kπ), com k ∈ Z.

Domínio da função y = tg x

D = {x ∈ R | x ≠ π/2 + kπ, k ∈ Z}

Imagem da função y = tg x

Vejamos o que ocorre em cada quadrante, em relação aos valores assumidos por y = tg x, ao mesmo tempo que x completa uma volta no ciclo trigonométrico.

Iniciamos partindo de A (origem dos arcos). Neste ponto a tg x vale zero, ou seja, tg 0 = 0. Aqui o ponto T coincide com o ponto A. A medida que x aumenta dentro do primeiro quadrante, o ponto T se afasta gradativamente do ponto A, no sentido positivo do eixo. Desta maneira, o valor da tangente vai aumentando e assumindo valores reais e positivos até deixar de existir quando x = π/2.

Função tangente no primeiro quadrante

Quando x passa para o segundo quadrante, o ponto T reaparece (na parte negativa do eixo das tangentes) e, a medida que x aumenta dentro do quadrante, o ponto T se aproxima de A, embora ainda na parte negativa do eixo. O ponto T volta a coincidir com A quando x assume o valor π. Neste ponto tg π = 0.

Função tangente no segundo quadrante

O terceiro quadrante T volta a ocupar a parte positiva do eixo das tangentes, afastando-se de A à medida que x aumenta dentro do terceiro quadrante até deixar de existir novamente, quando x = 3π/2.

Função tangente no terceiro quadrante

No quarto quadrante T reaparece na parte negativa do eixo das tangentes, e a medida que x cresce o valor de tg x também aumenta até T coincidir com A em 2π onde tg 2π = 0.

Função tangente no quarto quadrante

Com isso chegamos as seguintes conclusões:

  • tg x é positiva no 1º e 3º quadrantes;
  • tg x é negativa no 2º e 4º quadrantes;
  • tg x = 0 ⇔ x = kπ, k ∈ Z;
  • tg x assume qualquer valor real: Im = R;
  • y = tg x é crescente em qualquer quadrante.

Valores notáveis

Na tabela abaixo encontram-se os valores de tangente dos ângulos mais comuns estudados em trigonometria. A partir destes ângulos podemos encontrar o valor da tangente de outros ângulos.

x cos x
0 0
π/6 √3/3
π/4 1
π/3 √3
π/2
π 0
3π/2
0

Gráfico da função tangente

Veja como fica o gráfico da função tangente quando variamos x no intervalo de [0 , 2π].

Gráfico da função tangente

O gráfico da função tangente é um pouco mais “estranho” mesmo, se comparado com as funções anteriores. Essa linha laranja presente no gráfico recebe o nome de tangentóide e ela continua à direita de 2π e à esquerda de 0 (zero). Através do gráfico podemos perceber duas assíntotas nos arcos de π/2 e 3π/2 indicando que nestes pontos o valor da tangente é indefinido, além disso o período da função tangente é π. Logo:

tg x = tg(x + kπ), com k ∈ Z

A função tangente é uma função ímpar

Cíclo trigonométrico retratando a função tangente como uma função ímpar

Portanto, tg(-x) = -tg(x).

Função cotangente

Função cotangente

A função cotangente, y = cotg(x), é o inverso da função tangente.

tg x = sen x
cos x

O inverso disso é:

cotg x = cos x
sen x

Na função y = tg(x), o eixo das tangentes é paralelo o eixo dos senos, ou eixo y. Já o eixo das cotangentes é paralelo ao eixo dos cossenos, ou eixo x. O segmento BD representa o valor da cotangente do arco x.

Na função cotg(x) o denominador é sen(x) e o valores dos arcos onde sen(x) se anula são aqueles do tipo kπ, com k ∈ Z. Desta maneira, o domínio da função cotg(x) é D = {x ∈ R | x ≠ kπ, k ∈ Z}.

O conjunto imagem da função cotg(x) é Im = R.

Os sinais da função cotangente serão os mesmos da função tangente, porém y = cotg(x) será decrescente em todos os quatro quadrantes, além disso seu período vale π.

Valores notáveis

x cos x
0
π/6 √3
π/4 1
π/3 √3/3
π/2 0
π
3π/2 0